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| Ophelia - John Everett Millais. |
Antes da ave de Minerva alçar seu vôo ao entardecer,
Os irmãos Schlegel na casa de Novalis compactuavam,
Que dois amariam sem medo, e o terceiro de amor deveria morrer,
Novalis aceitou servir de sacrifício, do “místico trevo”, assim se chamaram.
A partir daquele culto Novalis todos os dias em meio a floresta saía,
A procura de uma bela donzela, que pudesse servi-lo de ideal inspiração,
Pois amá-la ainda viva, tinha-lhe pouca serventia.
Sorte da mocinha que cedo faleceu, não resistiria tamanha fantasia,
Pois Novalis só queria dela a memória guardar no coração.
Morta prematura virgem, nem Beatriz nem Isolda, livrou-se de Sofia,
Empecilho material em seu lento e misterioso sacrifício;
Todos os dias consagrava-os a Sofia, cultivando a porfia,
Sua vida se esgotou depois de tanto amoroso artifício.
Passados alguns meses, os irmãos Schlegel voltaram a visitá-lo,
No canto do quarto o encontraram em êxtase nauseabundo,
Levantaram-no uma última vez, tentando despertá-lo;
Ao lado um dos Schlegel’s tocava piano ao Novalis moribundo.
Quando terminou a melodia, vida já não tinha,
Pois tudo que detinha, entregou a Sofia.
Enfim, o trevo havia provado,
Que o amor podia ser fabricado.
SÍNTESE:
"A exaltação da morte voluntária, amorosa e divinizante, eis o tema religioso mais profundo dessa nova heresia albigense que foi o romantismo alemão". (Denis de Rougemont -- L'Ámour et l'Occident, Paris, Plon, 1939, p. 204).

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