Hora miserável, hora das trevas, à espreita;
É a velha palavra do profeta, da pena,
Feita carne vulnerável, suada, aberta,
Aquela alma dilacerada, pesada, eterna.
O cálice se apresenta, flamejante em cólera,
Sustentado por serafins, no juízo transborda;
Ó que terror, que cena inigualável e misteriosa,
A corte celeste contempla toda silenciosa.
O Filho ao Pai pede que se afaste, um instante;
O peso sobre o homem é demasiado, é mortal,
Nenhum dos angelicais suportaria julgo tal.
E tomou para si o cálice da Ira divina;
Esvaziou-se, e o pôs sobre o altar do coração,
Preencheu-o, novamente, com o sangue da salvação.

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