Nos passos do Senhor, o escravo pisoteia,
As terríveis sombras que o rodeiam e ferem.
Foge, louco, tentando escapar da cadeia,
Que prende a alma ao corpo dos que nela morrem.
Não deixarás as amarras de teus membros presos,
Enquanto persistir em acochá-las junto ao peito.
Tua alma presa ao passado, de uma terra enfeitiçada,
Lamenta miserável! O inferno d'África cá na senzala.
Volta a perseguir o Senhor, para naquelas chagas curar-te,
E reconhecer, junto ao dEle, teu rosto sofredor.
A vara que te fustiga é a vara da lascívia, a vara sem cabo,
Fincada na carne; ninguém larga, ninguém tira.
Foge, escravo amoroso, servir teu Senhor no outeiro;
Amaldiçoa o carrasco, escarra o passado,
E abraça tua cruz por inteiro.

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